NUNO CERA

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TOUR d’HORIZON. Uma escolha

Helena de Freitas

A escolha de Nuno Cera foi programática e partiu da convicção de que a arte contemporânea, desde sempre interpelada pela obra de Amadeo, faria sentido nesta exposição enquanto presença detonadora - um ponto de suspensão, de paragem no tempo, de estranheza e reactividade.
Os dois tempos são convocados, sem concessões nem mimetismos, num corpo a corpo entre o moderno e o contemporâneo. Rigorosamente ao seu ritmo e no seu tempo, sem qualquer deslize ou tentação futurista, Nuno Cera escolheu como temas para o seu vídeo os lugares certos e matriciais de Amadeo: Manhufe, Bretanha, Paris.
A partir deste encontro que João Macdonald classifica de invasivo, Nuno Cera, viajante como Amadeo, percorre esses lugares focando a sua atenção no essencial, intensificando os seus significados e transformando-os em lugares seus, habitados pela persistente e perturbadora memória do outro. Também neste trabalho se convoca o uno e o múltiplo e são enunciadas questões de identidade.
Importa nomear alguns desses signos e lugares e assinalar a sintonia desta escolha iconográfica: a paisagem de Manhufe, as linhas das montanhas, o traçado dos bosques, os ziguezagues dos caminhos, os castelos, a casa, a cozinha, o atelier, a ponte, o moinho, a azenha, as rodas dentadas, o movimento das águas; a presença magnética dos animais: o cavalo sem cavaleiro na casa de Manhufe, algumas aves de caça e de rapina, o olho do falcão, o mesmo sinal gráfico a negro e dourado do manuscrito de São Julião.
Assinalem-se alguns acasos – a memória pictórica de Henri Rousseau na figura de um pássaro branco sobre os ramos de uma árvore ; o espectro de um cavaleiro recortado sobre o céu. Uma nota final para as duas faces da lua, referência a um painel publicitário captado por Amadeo na rue des batignolles , imagem também ela construída num propósito visual de antagonismo e contraste.
Sem sentido narrativo, evocativo ou sequer emocional, Nuno Cera apodera-se destes lugares, habita-os com sentido de experimentação e de risco e, nos 3 écrans onde as imagens se movimentam e relacionam, constrói um TOUR de expansão.