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Nuno Cera – Sans, Souci, 2008

Sans, Souci é um vídeo que cita o guião de Alain Robbe-Grillet, “L’année dernière à Marienbad” (1961), tornado emblemático pelo realizador Alain Resnais. À semelhança da obra de referência, em Sans, Souci, os dois protagonistas encontram-se novamente, para desempenharem a sua história inverosímil. A consciência e externalização do tempo não residem numa acepção de consequência, de causalidade linear. A narrativa encontra-se segmentada, fragmentada, tornando-se impossível qualquer medição “coerente” de tempo entre as cenas e nas cenas. O dimensionamento nostálgico, a ambiência melancólica da ficção são o alimento que solidifica a intensidade do amor, da solidão, do abandono, do trauma, da morte (num sentido freudiano) que não é assumida. Trata-se de uma melancolia que não é produtiva, se atendermos à nomenclatura habitual, antes demonstrando constrangedora passividade, camuflada em actos desenhados, inconsequentes ou talvez não. São actos lacunares, de incompletude, essa acção desactivada que impõe sublimidade cénica e fotográfica.